Minha mão trêmula segurava o revólver com dificuldade e a cada movimento sutil da criatura antropomórfica uma nova parte da minha carne sussurrava desespero através de calafrios. A coragem me faltava a tal ponto que temia piscar e quando abrisse os olhos a criatura já estaria encima de mim. A mão que segurava o porrete estava mais firme que nunca, como se a pressão do aperto eventualmente concedesse mais força ao golpe.
Fixamente nos encaramos durante um tempo indeterminado. Cada batida do meu coração acelerado se assemelhava ao toque da hora em uma torre de relógio. Transpirava friamente. Meus pulmões estava com dificuldade para puxar o ar denso que se formava ali. No entanto, sabia eu que não era por causa da sala está fechada a muito tempo e sim porque temia a criatura.
Corrigindo: temia o que ela podia fazer. Receio que nunca antes alguém tenha visto uma criatura humanoide com vida, mas afirmo com convicção que a semelhança dos seus atos podem e muito suplantar o terror de sua proximidade física conosco. Seria prudente baixar o revólver na expectativa de estabelecer uma relação de passividade? Se não fosse possível, poderia eu ser mais rápido e atirar antes de ser atingido? Os estilhaços pelo chão me induziam a acreditar que não.
Uma torrente de pensamentos passaram por minha cabeça em uma enxurrada de linhas de raciocínio que acabavam na minha inevitável derrota. Qual seria o próximo movimento? Quem daria o primeiro passo em direção ao outro? Observei. A criatura era como um boneco gigante. Eu não podia dizer quão forte ela era e nem quão inteligente. Não haviam músculos ou discursos, somente uma casca vazia que de alguma forma se movimentava. Sem ideias nem princípios. Ausente de história e contatos. A curiosidade começara a crescer conforme o tempo de inércia em nossos movimentos foi aumentando e ameaçava tomar o local do medo. Neste momento, duas batalhas começaram em minha mente.
ns216.73.217.39da2


