Levantando-me então pensei em como determinar os sons necessários para a abertura daquela porta. De início rejeitei a ideia de haver uma música, tendo em vista que seria muito difícil lembrar de toda a composição. Preso a este enigma lembrei-me das aulas de música dos tempos de criança. Erguendo as mãos levantei o martelo e com batidas ritmadas comecei a tocar a nota em tempos diferentes. Nada aconteceu.
Curioso e pensativo, me virei novamente para o corredor em busca de alguma pista. Nada, as paredes eram lisas e sem decoração, as luminárias que pendiam do teto eram simples. Foi quando percebi algo.
Haviam três luminárias no corredor. A primeira estava logo na entrada. A segunda possuía um espaço de cerca de dois metros para a primeira e um metro para a terceira. Sem muitas alternativas me prendi a crença de que o código para abrir a porta talvez estivesse na disposição das luminárias pelo corredor. Retirei um papel do bolso do sobretudo e anotei: ponto, espaço, espaço, ponto, espaço, ponto. Então peguei o martelo e tentei bater no mesmo ritmo.
Ao final da terceira batida a porta estalou e começara a se mover lateralmente, como eu havia previsto. Com a entrada livre e um sorriso no rosto adentrei o cômodo que era meu objetivo desde o início e me deparei com algo tremendo. Havia no centro do cômodo um sarcófago que possuía um vitral transparente na sua frente e cabos pendiam de ambos os lados e seguiam pelas paredes até saírem da sala. Lá dentro, se tudo estivesse devidamente dentro de minhas análises, haveria uma criatura que poderia mudar a história para sempre.
Contudo, mal conseguira dar um passo a mais e a porta atrás de mim se fechou bruscamente, causando um estrondo sonoro que me fizera urrar de dor enquanto levava as mãos aos tímpanos. A dor era tremenda e minha cabeça começara a pesar até a visão ficar turva e eu finalmente desmaiar.
Quando enfim acordara, meus olhos passaram pela sala e me perguntei quanto tempo tinha adormecido. Desorientado e cambaleando de perna em perna – dado o giro do mundo – custei a me levantar. Sem esperanças me lancei a porta na tentativa de sair, mas o martelo ficara do lado de fora. Agora, era somente eu e o sarcófago naquela sala. Ou, pelo menos, é o que eu imaginava, pois subitamente uma mão batera contra o vitral, trincando-o. Assustado, comecei a andar lateralmente com armamento em mãos. Um revólver de seis tiros e um pequeno bastão de proteção particular de media um antebraço meu. Novamente a mão batera contra o vidro, estilhaçando-o.
De dentro do sarcófago saíra uma criatura humanoide de pele lisa, sem face. Seu corpo parecia ao de uma estátua de carrara e sua estrutura lembrava um boneco de referência para desenho. Ele então virara o “rosto” em minha direção.
Sem pestanejar apontei o revólver em sua direção, pronto para duelar pela minha vida.
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