Quando enfim virei o corredor me deparei com o meu objetivo. Cerca de cinco metros afrente havia uma porta de pedra lisa. Alta, deveria medir perto dos cinco metros de altura. Parei de frente a ela e comecei a procurar uma forma de abri-la. Observei-a de cima a baixo em busca de algum sinal de feitoria humana que indicasse como ela deveria ser aberta. Mas ela era inteiramente trabalhada para ser um plano vertical de pedra que deveria pesar algumas centenas de quilos, quiçá algumas toneladas. Não haviam fendas nem buracos e para os que não sabiam como abrir a porta ela se tornava uma parede intransponível.
Levando as mãos a cintura comecei a raciocinar o que deveria fazer. Olhei para as paredes do corredor. Observei se o teto havia alguma indicação. Procurei o piso alguma marca. Nada. Não havia indicação nenhuma de como deveria ser aberto. Por sorte, não precisava me preocupar em ser desviado de minha procura, pois guardei comigo os segredos para chegar aqui. Ainda assim, devo me atentar a perda de tempo, pois não sei que tipo de ambiente é este para evitar com tanta veemência a passagem por aquela porta.
Neste momento minha mente teve uma epifania. “E se…”, pensei. “E se tais seres não utilizarem mecanismos comuns? Talvez eles não tenham tato ou sejam muito pequenos e isto explica o fato de construírem uma porta de cinco metros.”
Esperançoso, me dirigi a porta e comecei a falar todas as palavras que poderiam significar algo como “abrir”, “revelar” e “permitir” que conhecia. Ainda assim, nada do que tentei funcionara. Frustrado, dei um soco de leve na parede e me encostei nela, deixando-me ficar de cócoras.
-Utilizar força é impossível para mim. Não há fechadura nem pedra solta para empurrar. Falar não funciona. O que mais deveria fazer?
Com as opções mais escassas comecei a me perguntar então como aquela porta poderia se mover. Verticalmente precisaria de muita força para erguer ou baixar este colosso cinza e, com certeza, deveria necessitar de um grande motor ou um sistema de contrapesos. Horizontalmente ele precisaria correr de um lado para o outro, mas será que existe algum mecanismo que seja capaz de suportar este peso?
Furioso e sem qualquer perspectiva de alcançar o que havia lá dentro eu retirei o meu martelo e o lancei contra a estrutura. O barulho da cabeça do martelo batendo contra a superfície do metal estalou com um tinido conhecido. Rapidamente, como se para ter certeza antes que ela escape, peguei o martelo, aproximei o meu rosto da pedra e então bati contra a mesma. Era som de metais se chocando. Me virei e olhei novamente para o monolito gigante. Tal qual passar o dedo molhado na borda da taça aquela era uma porta que se movia através do som, não de palavras, mas de puras notas.
Preso do lado de fora, cai do no chão de tanto rir.
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