Ponderei minhas opções e três foram previamente pensadas. Fugir deixou de ser uma opção no momento em que a porta se fechou, o que deixa somente com as outras duas opções. Desistir é o mais sensato a se fazer. Acabar com a dor de maneira rápida e eficaz, seis sãos as balas que cabem no tambor do meu revólver. Posso acabar com este conflito antes mesmo dele começar utilizando somente uma.
Descartado. Nada me parece mais deprimente do que a desistência. Este não sou eu, não mais. A minha vida custou caro para ser descartada desse jeito. Não. A última alternativa fora a que sobrou. Lutar.
Bem verdade é que lutar significa fugir das mãos poderosas do “manequim” – como eu o nomeie.
Também significa aceitar que vou perder, visto que não tenho expectativas de que vencerei. No entanto, se vou morrer de todo jeito o meu novo objetivo é levar esta criatura comigo.
Puxando o gatilho disparei contra o manequim e um clarão iluminou a sala com o cintilar de cada disparo. A criatura disparou contra mim com velocidade sobre-humana e se não fosse pelo fato de um dos tiros ter acertado o seu joelho direito eu não teria tempo para saltar à esquerda, desviando-me da mão em formato de lâmina que o manequim fez. Sem pestanejar, me levantei movido pelo desespero e verifiquei o tambor. Faltavam dois tiros. Voltei os olhos para a criatura e haviam três buracos de bala em seu corpo. Um no ombro direito, outro na lateral esquerda do toráx, próxima ao coração. O último atingira o seu joelho. Apontei novamente a arma em direção da criatura, mas dessa vez ela fora mais rápida e com um salto se jogou contra mim, utilizando-se do peso do seu corpo para causar um choque que me lançou por dois metros e retirou a arma da minha mão.
Com a lateral do rosto sangrando e o nariz quebrado eu busquei recobrar o meu equilíbrio antes do manequim se jogar contra mim novamente. Apesar disso ainda senti a sua forte mão segurando o meu calcanhar e me fazendo estabanar no chão novamente. Desesperado como uma presa que é mordida no calcanhar pelo seu algoz, tentei me desvencilhar do mesmo através de chutes que mais se assemelhavam a espasmos. Com o porrete em mãos percebi que o revólver estava a poucos centímetros de mim e enquanto sentia as mãos da criatura subindo pela minha perna eu tentei puxar a arma para a minha mão com o porrete. Quando enfim a tomei por posse novamente o manequim já estava pronto para desferir o golpe contra o meu peito e munido de fúria e medo berrei bestialidades enquanto disparava as duas últimas balas contra a sua cabeça.
A criatura tombou de lado, com a cabeça despejando um líquido preto que parecia óleo e novamente me vi preso a minha mania mais hedionda. Perante a morte iminente, o perigo constante e a dor, gargalhei de alívio.
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