O garçom engrenhou pela mata, fazendo-me xingá-lo por isto e logo a perseguição se transformou em corrida. A mata era fechada e enquanto o seu vulto aparecia e sumia repentinamente entre a folhagem eu evitava de piscar. Bastava uma mera desatenção e meu plano estaria perdido. Os galhos quebrando sobre as botas do garçom se juntavam ao som das folhas caídas que, esmagadas, me davam a certeza de que eu estava indo na direção certa.
Mas nem tudo seria tão fácil. Assim que desviei de uma árvore pulando para a direita um galho se pusera à minha frente. Sem tempo de reação física senti os olhos se arregalarem e o impacto seguinte. Já caído no chão, o sangue em minha testa descia por sobre os meus olhos e logo minha cabeça começara a ficar quente, sendo o corte e a frustração os seus motivos. Com um soco em terra rapidamente me levantei e retomei minha caçada. Voltei minha corrida com tempestividade mas assim que acelerei um bramido grave e gutural transpassou as árvores. Por reflexo parei imediatamente a corrida e me abaixei, flexionando os joelhos. Sem piscar, comecei a olhar ao redor enquanto tentava manter o máximo de silêncio para ouvir o que quer que aquilo fosse. Minha respiração parara e então uma série de gritos começaram. Virei o rosto em direção ao local de onde vinha o som e a luta estremecera meu ser. Um homem gritava junto a criatura e logo percebi do que se tratava.
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-Urso – sussurrei para mim mesmo, como se nomeá-la por algo que eu conhecesse a torna-se mais familiar.
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Por instinto – e puro pavor – retirei a casaca vermelha que vestia e limpei o meu rosto com ela, manchando-a inteiramente de sangue. Sem pestanejar percebi quando os gritos do homem pararam e joguei a casaca longe enquanto começava a subir em uma das árvores.
Assim que o fiz escutei o barulho de uma grande massa se deslocando desenfreadamente por entre as árvores e parando onde a casaca manchada estava. Com alguns grunhidos ele começou a fuçar na casava, pegou-a pela boca e a estraçalhou. A visão do urso negro arrebentando a casaca como um guardanapo de papel fino me fez engrenhar ainda mais minhas mãos ao tronco da árvore e cada fibra do meu ser estava gélida pelas pontadas do pavor que meus pensamentos mais pessimistas poderiam produzir naquele momento.
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