Com um suspiro Vlad permaneceu segurando uma taça de champanhe em sua mão, enquanto escorava-se contra a parede no fundo da sala onde o baile se desenrolava. Seu objetivo não passava por cortejar as belas damas em seus vestidos festivos, nem estruturar relações com os homens poderosos da alta burguesia. Não. Seu objetivo era um tanto mais audacioso e ao mesmo tempo auspicioso.
Naquela sala, entre seres de alta estirpe e de culta educação, jazia um lobo em pele de cordeiro. Um predador inimigo que tinha pulado a cerca que separa nossos países para tragar as ovelhas que aqui pastam seguras. Ou é o que ele imaginaria. Muita foi a influência que Vlad utilizou para participar deste evento e ele não se daria por satisfeito até descobrir o que viera procurar.
As conversas se iniciavam e se desfaziam. "Onde é que você se encontra?", perguntou ao levar a taça a boca. Do outro lado da sala um sujeito se apresentara. Era um homem de olhos observadores, mas sem qualquer discrição. "Não", respondeu Vlad para si mesmo, resolvendo andar para ter mais pontos de observação. Percebera uma roda de cavalheiros de terno falando sobre os negócios de logística e os planos de expansão para o interior. Entre eles um sujeito de ombros largos e mãos levemente fechadas que possuíam um leve tremelique. Vlad tratou de aproximar-se do grupo.
Com uma taça levemente cheia e um sorriso dissimulado no rosto Vlad fingiu prestar atenção na conversa enquanto analisava os presentes. Bem vestido, Vlad poderia facilmente passar a impressão de que somente um sujeito mesquinho que julgava outros pela aparência e assim poderia julgá-los sem precisar de ressalvas.
-...é por essa razão que o plano tende a dar certo.
- Lorde Oliedev, creio que esteja subestimando os custos de escavar a montanha de Rietmond. – interrompeu o sujeito investigado. – A montanha é de pedra pura em sua grande parte. Abrir caminho por entre este monolito natural pode tornar a operação insustentável antes mesmo de começar.
- Devo concordar, Lorde Oliedev. – completou Vlad. – O senhor bem sabe do que se acometeu ao Lorde Tsokov. – todos tremeram ao ouvir o nome do sujeito. Porém um fora mais lento. Bem mais lento.
- Não diga algo assim, Barão.
- Perdão, Lorde. Mas são coisas a se pensar.
Depois do acontecido a conversa continuara sobre o caso. Finanças, leis trabalhistas e outros fatores foram discutidos. Após um determinado momento Vlad começara a puxar assunto para outra área, uma área mais mundana da vida e com os cantos dos olhos fixos no sujeito sob investigação, avistara quando ele utilizara a mão esquerda para ajudar um dos garçons que esbarrara nele a se reequilibrar. A mão esquerda do sujeito fora para segurar a frágil figura do garçom atrapalhado por debaixo do braço, perto da axila.
Quando o garçom ainda deixava o local do salão Vlad voltou-se a sua conversa. Tudo estava normal. Taças de champanhe, lordes e poderosos e um novo usuário da taça na mão esquerda.
-Perdão, senhores. – respondeu o Barão Vlad. – Devo me ausentar por alguns instantes, pois tenho uma presença ilustre no baile ao qual devo me apresentar. – e rumou para a cozinha interna, por onde o garçom acabara de passar.188Please respect copyright.PENANAzFP4ZOHp6L


