Dessa vez estou na vez de atendimento da empresa, então não posso sair daqui nem pra remédio, não que eu precise comprar um remédio agora. Até porque, eu poderia simplesmente ir na farmácia aqui perto e comprar rapidinho. Mas tem curas que não se encontram fácil assim, infelizmente.
E também, para onde eu iria? É meio de semana, então não tem algum evento legal acontecendo sobre animes e sobre jogos. Não que eu vá neles com certa frequência, quer dizer, sozinho não é a mesma coisa, e não é sempre que dá pra arranjar companhia para um rolê, ainda mais numa quarta-feira comum.
O melhor que eu posso fazer é trabalhar mesmo: ligações, follow-up de clientes antigos... quem sabe algo não vira? O trabalho é esse mesmo, então o que resta é fazer.
A propósito, você trabalha, estuda, faz o que de bom? É que sempre parece um roteiro bem montado, né? Estudar desde criança, até se formar e arranjar um bom emprego... O “o que você vai ser quando crescer?” não pode faltar, apesar de nem sempre termos essa resposta desde criança. E mesmo se alguém tiver, pode ser que o futuro tenha outros planos — assim como tem gente que passa uma vida inteira sem saber. Mas, claro, vivemos num mundo onde a base de tudo é o dinheiro. Se você consegue pagar as contas, comer, se vestir e dormir bem, parabéns, você tem um “sucesso”.
E não, não tô dizendo isso pra reduzir ou aumentar, só tô contando a minha realidade. Eu nunca tinha pensado, quando criança, que chegaria onde estou hoje. E simplesmente estou aqui. Encontrei um lugar meu aqui, e imagino que em qualquer outro lugar também teria que fazer dele meu. Isso não significa que, em outra ocasião, seria mais fácil ou mais difícil — só que ainda assim seria “eu”. Pelo menos isso tira um pouco de peso das vozes dizendo que a culpa é toda minha, sendo que tem coisas que simplesmente não posso controlar. E eu também faço parte do processo chamado “crescer”.
É... “crescer”. Talvez eu tenha feito boa parte desse processo sozinho emocionalmente, já que, se no mundo o dinheiro fala mais alto, as emoções falam mais baixo. Mas mesmo sussurrando, já é o suficiente pra não passarem despercebidas. E ninguém nunca me disse o que eu devia fazer com elas. Mas, se fosse eu antes, provavelmente diria o mesmo que o eu de agora diria: que elas precisam ser acolhidas, e não ignoradas. Até porque, guardar esse tipo de coisa pode trazer doenças, sabiam? Doenças emocionais como depressão, ansiedade... elas nunca aparecem “do nada”. E é bom tratar delas antes de virarem notícias de jornal televisivo.
No final das contas, acho que todo mundo ia preferir ser uma reportagem de história de sucesso — e não só mais um número nas estatísticas.
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